Amor e comida

por Tá na Mesa


A ideia de que alguns alimentos ajudam a estimular a libido e despertar o prazer sexual é antiga. Chamados de afrodisíacos, numa referência a Afrodite, a deusa grega do amor, eles não estão no radar apenas dos amantes. São assunto também para muitos estudos mundo afora. Será que funcionam? Qual a origem dessa crença? São perguntas que rondam a cabeça dos pesquisadores.

Também perguntamos a mesma coisa para dois especialistas em sexualidade, o urologista Celso Marzano, do Centro de Orientação e Desenvolvimento da Sexualidade (Cedes), e o psicoterapeuta sexual e de casais Oswaldo Rodrigues, do Instituto Paulista de Sexualidade (InPaSex).

Para Oswaldo, afrodisíaca é a alimentação saudável. Em suas palavras: “Quando uma pessoa tem deficiência de alguns nutrientes, como sais minerais, por causa de uma alimentação deficiente, ela não tem disposição para atividades secundárias, como é o caso do ato sexual”. Conclusão: uma dieta variada e rica, com todos os nutrientes de que nosso organismo precisa é o elixir do amor!

Já Celso aponta que estudos apresentados em congressos de sexualidade puxam uma brasinha para a tese de que determinados componentes presentes em alguns alimentos podem, sim, potencializar a resposta sexual. Seria o caso de alimentos ricos em vitamina E, Zinco e Magnésio. Esses elementos melhoram o óxido nítrico (componente relacionado à ereção) no organismo. Nessa cesta básica estão azeite de oliva (zinco), melancia (zinco), romã (vitamina E) e cereais integrais (zinco e vitamina E).

Um dos afrodisíacos mais emblemáticos (o seu formato lembra o órgão sexual feminino), as ostras também são ricas em zinco e auxiliam na produção de testosterona. O mel tem a mesma função, mas por conta de sua vitamina B. Frutos do mar e pescados como o salmão, são ricos em ômega 3 e aumentam os níveis de serotonina.

Já o amendoim é rico em vitamina B3 e ajuda na dilatação dos vasos sanguíneos, o que auxilia no fluxo sanguíneo para os órgãos genitais. Mesma função têm o gengibre e as pimentas como a dedo-de-moça e a malagueta, que são ricas em capsaicina e atuam como um termogênico natural (aqui, o termo “apimentar a relação” não é figurativo!).

A força do efeito placebo (quando um paciente tem uma resposta positiva tomando um remédio de “farinha” pensando que era o verdadeiro) também explica a persistência da crença popular em afrodisíacos.

Oswaldo lembra que esse efeito é desencadeado por mecanismos cognitivos e culturais. Se aprendemos que comer ostras é afrodisíaco, lançaremos mão desse conhecimento adquirido e lá vamos nós degustar o crustáceo sonhando com o efeito desejado. Ele explica que esse mecanismo cognitivo produz regra que a pessoa segue mesmo que não seja verdade. Se ela fizer sexo naquela noite e der certo, está confirmada a crença. Se der errado, sempre há a possibilidade e ela não ter seguido à risca a dica, de ter comido ostras de menos ou de mais. “O que sobra sempre será a convicção de que a ideia que se aprendeu é mais verdadeira do que um estudo científico possa comprovar”, entende Oswaldo.

De resto, para Celso é importante lembrar que o sexo é um ato sensorial, envolve os cinco sentidos. Estimulá-los é um caminho certeiro para alimentar a fantasia, principal combustível para acender a libido. E a crença popular nos alimentos ditos afrodisíacos entra no time de poderosos estimulante desse componente psicológico do desejo.

Enfim, polêmicas à parte, se o objetivo é deixar o dia 12 de junho ainda mais especial e o imaginário popular dá aval aos afrodisíacos, pelo sim, pelo não, melhor incluir esses alimentos na sua lista de compras #ficaadica.


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