Rio de Janeiro é berço do picadinho

por Tá na Mesa

“O picadinho revelou-se ideal para salvar vidar em horas mortas e recuperar disposições abaladas por uísques além da conta”, escreveu Ruy Castro no livro “A noite do meu bem” (publicado pela Companhia das Letras). Ele se referia à receita elaborada com carne picada na ponta da faca e ensopada, que é considerada um verdadeiro ponto fora da curva no receituário nacional. Afinal, o picadinho – diferentemente de tantas receitas nacionais sem origem definida - tem data e local de nascimento: o Rio de Janeiro dos anos 1950.

O barão austríaco Max Von Stuckart, que foi contratado pela família Guinle para modernizar as atrações do Copacabana Palace, introduziu o prato no cardápio da boate Meia-Noite, que funcionava nas imediações do icônico hotel. Na época, o prato era temperado com cebolinha, louro, sálvia, segurelha, alecrim e manjericão. A receita também ganhava o reforço da manteiga e do tomate.

O picadinho chegava à mesa com arroz, agrião, farinha de mesa e um ovo pochê. Como se não bastasse, Stuckart trouxe para o Brasil outros clássicos internacionais como o frango à Kiev (enrolado, recheado com manteiga de ervas e empanado) e o estrogonofe, mas essa já é outra história.

A receita pode até ter ganhado fama na noite carioca, mas logo ganhou a luz do dia. O picadinho é daqueles pratos que fazem bonito tanto no cardápio dos botecos pé sujo quanto nos restaurantes mais refinados. Costuma chegar à mesa com arroz, ovo, farofa e diversos acompanhamentos que podem variar de acordo com a oferta de produtos, ou a criatividade do cozinheiro – é claro!

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