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Yes, temos mandioca! Veja como surgiu esse alimento brasileiríssimo

“A rainha do Brasil”, assim o historiador Luís da Câmara Cascudo (1898 – 1986) se refere à mandioca, à qual dedica um capítulo do livro História da alimentação no Brasil (editora Global). E justifica o título ao ressaltar a importância que um derivado da raiz assumiu à mesa dos habitantes locais: “A farinha é a camada primitiva, o basalto fundamental na alimentação brasileira.”

Já era assim muito antes de os europeus chegarem por aqui.  Tudo indica que essa raiz começou a ser usada como alimento essencial pelos nativos do continente a partir da região da Amazônia. Quem conta essa história direitinho é o jornalista Caloca Fernandes no livro Viagem gastronômica através do Brasil (editora Senac). Diz ele:  “O cultivo da mandioca surgiu no primeiro milênio a.C na bacia tropical do Amazonas, praticado por tribos de várias etnias”.

Desse território, a cultura da raiz como fonte alimentar se ramificou por outras paragens, como Venezuela, Guianas, América Central, Caribe e Flórida. Os índios tupis que viviam em terras do litoral atlântico também trataram de disseminar esse cultivo. Para os indígenas, a mandioca era o acompanhamento perfeito para tudo, das carnes de caça às frutas.

 

 

A farinha, um achado!

 

Quando navegantes de além-mar desembarcaram nas terras que viriam a se chamar Brasil, não tardaram a reconhecer a riqueza desse alimento.  Como pontua Caloca: “Desde o início da colonização, os portugueses perceberam a utilidade da mandioca como provisão e recurso, ampliando o seu cultivo e formando uma infinidade de roças. Tomé de Souza, o primeiro governador geral, chegou mesmo a legislar sobre o assunto, obrigando o seu cultivo em 1549”.

Esse insumo foi uma importante provisão para os bandeirantes que alargaram as fronteiras do país, partindo de São Paulo, nas chamadas Entradas e Bandeiras, rumo ao oeste. A farinha extraída da raiz branquinha era a combinação perfeita para a carne-seca e o feijão que serviam de alimento ao longo da viagem. Tanto que, no caminho, quando faziam paradas estratégicas para descansar e se reabastecer, sempre deixavam um grupo de brancos e índios encarregados de cuidar de uma plantação de mandioca e dela fazer a farinha que supriria as próximas expedições que por ali passassem.

Na época do tráfico de escravos, a farinha de mandioca também teve papel de destaque.  Junto com o fumo de rolo e a aguardente, ela era levada nos navios que iam até a África em busca de escravos. Era usada como moeda de troca. Por conta de seu alto valor nutricional (é rica em amido, fibras, substâncias hidrogenadas e sais minerais), também servia para alimentar os escravos a caminho do Brasil.

Não demorou também para ganhar um lugar permanente na mesa do brasileiro em geral, como pontua Câmara Cascudo em seu livro sobre a história da gastronomia nacional, com primeira edição no final dos anos 1960: “Há quase cinco séculos a farinha continua mantendo o prestígio no crédito popular. Essa permanência constitui a imagem da suficiência. (…) É comida de volume, comida que enche, sacia, faz bucha, satisfaz”.

Planta rústica

Contribuiu para sua ampla disseminação, além de sua riqueza nutricional, o fato de que a mandioca é uma planta de alta capacidade de adaptação. Ela cresce e se desenvolve bem em todas as regiões tropicais, em condições diversas de solo e clima. Resiste até em solos pobres  e a períodos de seca.

De acordo com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), a mandioca é cultivada por cerca de 100 países. No Brasil, responsável por cerca de 10% da produção mundial, ela é produzida em todos os estados.

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