Desde a Idade Média

Desde a Idade Média



Por Paula Rizkallah

 

Quando pensamos nessa mesa de leites vegetais, resolvi pesquisar sobre nossa relação com os leites em geral, desde que incorporamos esse item a nossos hábitos alimentares. Encontrei informações preciosas. Uma delas foi a curiosa história sobre o ingresso dos leites vegetais em nossas mesas. Um evento que está ligado a questões religiosas.

Na Idade Média os alimentos eram classificados entre “quentes” e “frios”. Mas essa classificação não estava relacionada com sua temperatura ao serem servidos. E sim com o poder que, naquela época, acreditava-se que certos ingredientes tinham de aumentar o desejo sexual. A carne vermelha, por exemplo, era um alimento considerado quente. Já peixe e frango entravam na categoria dos frios.

Nessa mesma época, a Igreja Católica passou a proibir o consumo de alimentos quentes em dias sagrados. Por isso, nas quartas, sextas e sábados, além dos 40 dias que antecedem a Páscoa, carnes e outros alimentos quentes eram proibidos e deviam ser banidos das refeições.

E o leite de origem animal era colocado por alguns nessa categoria dos quentes. Por isso, nos séculos 17 e 18, o leite extraído da amêndoa se popularizou como uma alternativa para os dias de restrição religiosa. Antes disso, no século 16, os britânicos já haviam descoberto com suas colônias, em especial a da Jamaica, o uso do leite de coco.

Aos poucos, os leites vegetais foram ganhando seu espaço como fonte nutricional importante. E por uma questão de abastecimento. Mesmo depois que a Igreja liberou o consumo de leite de origem animal, nem sempre as pessoas tinham acesso a ele. Isso porque leite era um produto sazonal. Os bezerros nasciam predominantemente na primavera e no verão. Por isso, durante o inverno a produção de leite era reduzida.

 
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