A melhor arma contra a obesidade infantil é a prevenção

Não tem segredo. A melhor arma contra a obesidade infantil é a prevenção. Isso porque, no Brasil e no mundo, o aumento nos índices de sobrepeso e obesidade nessa faixa etária estão relacionados não apenas a aspectos genéticos, mas também a uma importante interação destes com fatores comportamentais e ambientais diversos que podem e devem ser controlados. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) destaca três desses fatores que têm papel fundamental:

  • Hábitos alimentares que incorporam um excesso de alimentos ultraprocessados (refrigerantes, salgadinhos, embutidos, sucos artificiais, doces etc.).
  • Maior parte do tempo de lazer de crianças e adolescentes consumida em atividades sedentárias (celulares, TV, videogame, computador).
  • O tempo cada vez menor que crianças e adolescentes dedicam a atividades ao ar livre e de maior gasto energético.

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– Confira as dicas da nutricionista Fabiana Rasteiro para melhorar a qualidade da alimentação infantil

Isso quer dizer que fatores ambientais como a alimentação, prática de atividade física e estresse, entre outros, têm impacto direto na promoção de saúde e na prevenção de doenças na infância e na vida adulta, incluindo a obesidade.

Portanto, a melhor arma contra a obesidade infantil é a prevenção, ou seja, é preciso encarar essas questões de frente. E começar bem cedo. A janela de oportunidade para construir as bases de uma vida com peso saudável está no período que os especialistas chamam de “Primeiros 1.000 Dias de Vida”.

Essa etapa se estende desde o momento da concepção, passando por toda a gestação, até o final do segundo ano de vida da criança. Os hábitos adotados nessa fase irão influenciar o futuro do indivíduo, uma vez que é nesses primeiros 1.000 dias que ocorre sua programação metabólica.

Alimento essencial

 Nessa fase, o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses do bebê – e sua manutenção após a introdução da alimentação complementar e até os dois anos de idade – é um passo importantíssimo. Estima-se que cada período de aproximadamente 3,7 meses no tempo total de aleitamento, reduz em 6% o risco de desenvolvimento de obesidade, segundo estudos científicos. Na Mesa Einstein: Alimentação Infantil fizemos um blog com dicas superúteis sobre amamentação, vale revisitar!

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  • A chef Carol Fiorentino e a nutricionista Mariana Borges dão falam sobre a importância do aleitamento materno.

A introdução à alimentação complementar, após o sexto mês, é outro momento crucial para o desenvolvimento de  bons hábitos, que perdurarão por todas as fases da vida. Deve-se observar regras importantes como evitar a introdução de açúcar antes dos dois anos, prezar pela diversificação dos alimentos (quanto mais colorida e rica em produtos frescos for a dieta, maior a oferta de micronutrientes, como vitaminas e  minerais), proporcionar estímulos para o desenvolvimento do paladar e também de comportamentos favoráveis na rotina alimentar.

No caminho inverso, adotar padrões de comportamento alimentar pouco saudável nesses Primeiros 1.000 Dias e nos anos subsequentes – como ingestão precoce e em excesso de açúcar, o consumo exagerado de ultraprocessados e redução de alimentos de valor nutricional adequado – pode causar a chamada “fome oculta”. Assim é nomeado o quadro de crianças obesas ou mesmo com peso adequado que apresentam deficiência de um ou mais nutrientes.

Vida ativa

Finalmente, se a melhor arma contra a obesidade infantil é a prevenção, não podemos esquecer que outro pilar tão importante quanto o que colocamos no prato: a prática regular de atividade física, essencial em todas as fases da vida. Para crianças menores, é essencial estimular brincadeiras e atividades ao ar livre. Para as  maiores e os adolescentes vale investir em práticas mais estruturadas, de acordo com as preferências e habilidades individuais e com os recursos disponíveis na família.

O foco no tratamento da obesidade infantil envolve não somente o peso adequado, mas também o crescimento saudável, a redução do risco de comorbidades e o desenvolvimento de novos hábitos e comportamentos.

Referências:

Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos.

Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Departamento de Promoção da Saúde. Brasília, 2019.

Manual de alimentação: orientações para alimentação do lactente ao adolescente, na escola, na gestante, na prevenção de doenças e segurança alimentar. Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Nutrologia. 4ªedição. São Paulo, 2018.

Thousand days. Why 1000 days. Washington, DC: Thousand days; 2018.

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