As histórias curiosidades de alguns dos doces mais tradicionais de Natal

As histórias curiosidades de alguns dos doces mais tradicionais de Natal

As histórias curiosidades de alguns dos doces mais tradicionais de Natal

Deliciosos e onipresentes nas mesas nas festas de fim de ano, alguns dos doces mais tradicionais do Natal estão carregados de lendas e histórias curiosas. Para entrar no clima natalino com tudo, convidamos você a conhecer um pouco mais sobre a tradição de alguns deles.

Veja também:

 - A chef Paula Rizkallah ensina a fazer o tradicional biscoito crostolini

https://www.youtube.com/watch?v=mMiwY-zM8ZU&feature=emb_title

 

 

Bûche de Noël ou Tronco de Natal

Presença cativa na ceia dos franceses, essa receita remonta a uma antiga tradição pagã cultivada por camponeses. Durante o inverno, eles tinham o hábito de queimar na lareira um tronco de alguma árvore frutífera em homenagem aos deuses.

A torcida era para que esse tronco queimasse lentamente, por pelo menos 12 dias, pois acreditavam que, quanto mais sua chama demorasse a se extinguir, maior seria a abundância da colheita no ano seguinte. Por isso, para controlar a combustão do tronco, costumavam regá-lo com vinho.

O grande momento desse ritual acontecia no dia 24 de dezembro, quando a família se reunia em torno da mesa para celebrar o final do ano. Terminada a refeição, as crianças saíam para rezar e pedir presentes. Enquanto isso, os adultos espalhavam bombons e docinhos em torno do tronco para que elas os encontrassem na volta.

Com o tempo e a modernização dos sistemas de calefação, esse ritual foi sendo deixado de lado, mas a tradição do tronco, não. Virou um doce maravilhoso: um bolo em forma de tronco, coberto com creme de chocolate.

Bolo de Reis

Ele tem formato redondo, com um furo no meio, e é todo enfeitado em cima com frutas cristalizadas coloridas. Lembra uma coroa cravejada de pedras preciosas. Originariamente, esse bolo trazia escondido em sua massa uma fava e um brinde. Quem encontrasse a fava teria que pagar o próximo bolo. Já quem achasse o brinde teria sorte.

A tradição de servir essa riqueza durante as festividades natalinas é portuguesa, com certeza. O quitute homenageia os três Reis Magos, que foram ao encontro do menino Jesus levando presentes, e tem em seus ingredientes certa simbologia: a cor da massa lembra o ouro; as frutas remetem à mirra; e o perfume é uma referência ao incenso.

Mas as sementes da receita teriam sido lançadas em outras paragens. A história da fava remonta à Roma antiga. Em banquetes festivos que aconteciam em dezembro, os romanos tinham o hábito de eleger o rei da festa, organizando um sorteio com favas. Mais tarde, a Igreja Católica associou esse costume às comemorações da Natividade.

Já a receita que chegou a Portugal veio da França, onde teria surgido na corte de Luís 14 com o nome de galette des rois. Foi trazida por Baltazar Rodrigues Castanheiro Júnior, filho do fundador da Confeitaria Nacional, de Lisboa, em 1870. E, a partir dessa confeitaria, a tradição do bolo de reis se espalhou.

Rabanadas ou fatias douradas

Essas delícias fazem parte dos preparos conhecidos em Portugal como “fritos de Natal”. O princípio dessa receita – um pão amanhecido frito – está presente em quitutes de outros países europeus, como o pain perdu, dos franceses.

E a inspiração para essa delícia também é antiga. Nos manuscritos Apicius – [De re culinaria Libri I-IX], também conhecido como De re coquinaria, que reúne receitas romanas e gregas dos séculos 4 e 5, há uma versão de pão amanhecido, molhado na mistura de leite e ovos batidos, depois frito e servido com mel.

Esse preparo básico persiste até hoje, mas pode ser incrementado. Tradicionalmente se usa canela para dar um sabor todo especial às rabanadas, mas elas também podem ser aromatizadas com raspas de casca de limão ou laranja, baunilha, anis-estrelado, gengibre ou vinhos (Porto, Madeira ou Marsala) e licores.

Para a mesa Natal 2020, selecionamos quatro versões: Rabanadas Portuguesas ao Porto; Rabanada Assada com Cardamomo e Calda de Limão-Siciliano; Rabanada de Cachaça; e Rabanada com Vinho. Escolha a sua!

Panetone

A receita do pão com a inconfundível massa recheada de uva-passa e frutas cristalizadas teria nascido em Milão, Itália, nos idos do século 15. O criador, entretanto, é incerto.

Uma das lendas que se conta a respeito diz que ele teria nascido no “susto”. O doce que seria servido aos convidados do duque Ludovico, o Mouro, na noite de Natal, queimou, e os cozinheiros tiveram que improvisar outro.

Um ajudante de cozinha, que por acaso se chamava Toni, foi o responsável pela execução do doce, reunindo o que pode encontrar na cozinha. Para surpresa de todos, foi um sucesso, logo batizado de o pão de Toni – que acabou virando “panetone”.

Uma segunda lenda credita a invenção desse delicioso pão a um apaixonado. Sua eleita era justamente a filha de um padeiro. Para ficar mais próximo de sua amada, o moço tratou de batalhar por um emprego na padaria do futuro sogro e, para impressioná-lo, criou a receita do pão doce enriquecido com passas e frutas secas. Em tempo: Toni, nessa versão, era o nome do sogro do pai da moça, e o pão,  claro, teria sido batizado em homenagem a ele.

 
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