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Senta, que lá vem história

 

Estudos de paleontologia ligam o franguinho nosso de todo dia – pasmem! – a um tipo de dinossauro, um bicho voador muito esquisito que tinha penas, asas com garras e dentes. Era o Archeopterix, que viveu na Terra há 150 milhões de anos e é conhecido como o antepassado de inúmeras aves – incluindo a grande família Phasanidae, que engloba faisões, perus, codornas e, claro, frangos. Essa é apenas uma das muitas curiosidades que acompanham a história dessa ave domesticada pelo homem e que se transformou em uma de nossas principais fontes de alimentação. Veja mais algumas:

  1. A relação entre os humanos e os galináceos teve início no período do Neolítico, por volta de 8 mil anos a.C. Nessa época, o homem começou a se fixar em aldeias e a se dedicar à agricultura e a domesticar animais. Os frangos e galinhas foram se chegando, primeiramente como coletores dos restos de comida deixados pelos homens. Por volata de 6 mil anos a.C. os habitantes da região entre Tailândia e Vietnã perceberam a possibilidade de usar os ovos dessas aves como fonte alimentar.
  2. Do século 5 a 1 a.C., em Roma, as galinhas já eram criadas no quintal e até mesmo dentro das casas. Mas sua carne não era consumida com frequência, pois a principal missão dessas aves era produzir ovos.
  3. A carne de frango começou a ser valorizada com a expansão do Império Romano e o surgimento de uma parcela da população mais favorecida que se dedicava a fartos banquetes. Então, as receitas ganharam sofisticação, uma vez que a culinária romana usava e abusava de inúmeros condimentos como pimenta, gengibre, coentro, pistache, menta, arruda e o gerum (um molho fermentado a base de vísceras salgadas de peixe).
  4. Na Idade Média, de acordo com rígidos preceitos propagados pela igreja católica, era proibido o consumo de carne em 166 dias por ano. Essa abstinência era suspensa apenas para doentes, crianças, gestantes e mulheres que tinham dado a luz. Como o frango era uma carne leve e delicada, ganhou da medicina o status de poderoso auxiliar nos tratamentos de diversas moléstias.
  5. No período da Renascença, a carne de frango era um elemento de distinção social. Nos banquetes da nobreza, na Itália, capões, frangos e outras aves de criação eram servidos para os convidados de nível mais alto, enquanto outros tipos de carne (carneiro, vitelo e porco) eram destinadas ao escalão mais baixo.
  6. No Brasil, frangos e galinhas desembarcaram com os portugueses, em 1500, fato que está devidamente registrado na famosa carta de Pero Vaz de Caminha comunicando ao rei de Portugal a chegada da esquadra de Pedro Alvares Cabral à costa brasileira. No documento, Caminha narra o espanto dos índios ao serem apresentados a uma das galinhas trazidas pelos navegadores.
  7. Em terras brasileiras, no período colonial, frango também era um ingrediente para mesas abastadas. Entre os senhores de terra e ricos comerciantes, uma das receitas mais apreciadas era a galinha de cabidela ou frango ao molho pardo.
  8. No Ciclo do Ouro, com a melhoria do abastecimento da colônia, há uma diversificação alimentar e nascem tradições culinárias regionais como a mineira, com preparos opulentos em que o frango é um dos ingredientes principais, como o frango com quiabo e a galinhada.
  9. Os africanos também meteram a colher nessa panela com preparos como o muamba, um prato bastante popular em Angola, em que o frango ganha a companhia do quiabo (nativo da África), abóbora e azeite de dendê. A culinária afro-brasileira contribuiu ainda com muitos outros pratos, como o xinxim de galinha, que leva camarões secos, amendoim e dendê.

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